Romance - 125 páginas

 

“É impossível não ser virada do avesso, é impossível não ser tangida, devorada, atravessada, rasgada e costurada por Meu corpo ainda quente.

Eu sei que a leitora vai pegar esse livro escrito com sangue pela inacreditável Sheyla Smanioto e se agarrar a ele como nos agarramos aos filhos, como um dia nos penduramos à barra da saia de nossas mães, como nos abraçamos ao travesseiro para chorar um fracasso, uma derrota, um abandono; como nos seguramos ao nosso corpo para que ele não nos escape.”

Márcia Tiburi, na orelha.

 

Sinopse

Quando você descobriu pela primeira vez que seu corpo não era seu? Em Vermelha, uma fictícia cidade de desova da ditadura militar inspirada na Diadema dos anos 80, mulher nenhuma tem o próprio corpo. É lá que Jô vive e cresce e precisa escolher entre aprender a viver em um corpo emprestado ou sair em uma jornada para tomar o próprio corpo para si. Uma escolha que a levará para dentro da geografia de seu corpo de mulher, esse lugar assombrado, pós-apocalíptico, onde ela terá que negociar com a loucura e com a morte se quiser voltar à vida. “Meu corpo ainda quente” é um romance e também um conto de fadas distópico, mas, antes de tudo, um manifesto poético-feminista.

 

Trecho

"Minha Mãe não acredita na morte. Eu também não acreditava.Era melhor nem falar sobre os Corpos de Vermelha na frente dela, “aqui só morre mesmo quem não presta”, ela ia dizer. Também não adiantava perguntar “por que ninguém esconde essa gente toda embaixo da terra, junto com as raízes das plantas e com os livros?”, “porque a gente não fez nada de errado”, a Mãe ia dizer, o rosto duro de pedra, “aqui em Vermelha só tem medo quem não presta”.Só quem não presta então eu corria atrás do meu Corpo, um bicho selvagem e louco, ele corria e eu corria atrás, em volta e em cima das coisas, crianças espantando o pó, fazendo o vento, rindo feito cachorros, um tentando morar no outro, eu e meu Corpo e minha Mãe gritando para eu parar com isso, “ou você vai cair”, cair? Eu sinto o frio na barriga, será que é isso? Eu estou caindo? Do meu próprio Corpo?Só morre quem não presta então eu continuo correndo dos gritos e da Mãe vindo atrás com os cachorros da rua junto latindo, ela me pega no meio da corrida eu sou um saco de roupas em queda livre, ela me chacoalha eu sou coberta e pó, as mãos dela geladas de detergente e raiva, “você fica por aí como se esse bicho fosse seu, depois não vem com choro pro meu lado”, eu olho chacoalhada para a Mãe, “esse Corpo não é meu?”Eu olho para as mãos que andava carregando por aí, “mãe?”, mãos que cuidei como se fossem minhas, “no mundo inteiro é assim, filha, mulher nenhuma tem o próprio Corpo”.

Meu corpo ainda quente

REF: 0002
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