se você se abrisse para o mundo, para a página, que paisagens encontraríamos?


Ouvi pela primeira vez essa frase da Agnès Varda e essa ideia do dentro-paisagem já tinha me encontrado em sonho, já era parte do romance Meu corpo ainda quente (que é a história de uma menina que vai morar em um canto de sua própria paisagem interna), já era parte de mim, mesmo assim, quando ouvi essa frase pela primeira vez vindo de fora, vindo de Agnès Varda, me deu um arrepio e a plena consciência de que eu não tinha “inventado”, eu tinha “lembrado”. Me dei conta de que não era apenas “coisa da minha cabeça”: era coisa do corpo-sonho-imaginação. Era tesouro encontrado nas terras das nossas terras, antigo, mítico, carne-palavra.


Eu vim te lembrar
que você é paisagem.
que Nós somos paisagens.
paisagens que muitas vezes desconhecemos.

“Esse desconhecido”, você pode me dizer,

“é apenas o já conhecido 'inconsciente'. Todo mundo sabe.”


Tudo bem. Mas é que quando eu digo “inconsciente”, eu só digo e pronto. Ali fico.


Mas se eu chamo esse corpo-imagem de paisagem, isso se desdobra: eu consigo caminhar por ela, pisar com pés de sonho a minha própria terra. Eu consigo me olhar como a uma aventura geográfica, histórica, misteriosa. Eu consigo conhecer minha fauna e minha flora selvagem. Eu consigo mapear respeitando o infinito do que existe. Eu consigo criar.


“Se abríssemos
as pessoas,
encontraríamos paisagens”,
Agnès Varda diz.
E se nos abrirmos?
Eu te pergunto.
Eu te convido.

E se caminhássemos por dentro do que somos? E se cuidássemos de nossos rios selvagens, de nossas terras? E se conhecêssemos os climas, os ciclos, sua vegetação mais selvagem? E se aprendêssemos a criar com a matéria-vida de quem a gente é, com a fauna e a flora dessa paisagem?


isso é o caderno como jardim,

um curso de escrita selvagem e jardinagem de ideias na sua paisagem interna.


Dia 7 de dezembro vou abrir uma nova turma, mas antes vamos ter uma oficina-ritual de preparação.

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